Não é necessário que saias de casa. Fica
à mesa e escuta. Não escutes, espera apenas.
Não esperes, fica em silêncio e só. O mundo
virá oferecer-se a ti para que o desmascares,
não pode fazer outra coisa, extasiado, ´
contorcer-se-á diante de ti.
Franz Kafka, "Aforismos"
quinta-feira, 5 de julho de 2012
terça-feira, 19 de junho de 2012
diria que seria o não te ver culpado
este não te ver
aquando de cada inspiração
um pensar sobre tal ausência
navego sem nada mais (saber) fazer
e no caso de me encontrares
este não te ver
repetidamente
como que me acompanhandoaquando de cada inspiração
surgindo
ao virar de esquina
a uma mudança de horizonte
chamando-lhe tal à falta de melhor palavra
que me leva ao porto do que poderia ter sido
mais do aquilo que realmente foi
nada?
aí navego, navego sem nada mais precisarnavego sem nada mais (saber) fazer
e no caso de me encontrares
nesse local secreto
afundar-me-ia
sinto-me capaz de apostar
sem que disso tivesses a menor culpa
apenas eu o maior proveito
e cobardia...
segunda-feira, 18 de junho de 2012
A um canto do comboio
acabado de entrar
(mal largo o saco, mas entre os dedos dele me esqueço)
deixo as costas moldarem-se
tornando-se, no final, umas outras.
A velocidade, pouco a pouco, aumenta.
O som de fecho de portas já foi
e a percepção de conversas estranhas segue-lhe o rasto.
Fica, à minha frente, uma superfície fria que se torna reflexo
e da qual pretendo escapar a uma face caída
escondida em dedos nervosos, donos de outra vida.
acabado de entrar
(mal largo o saco, mas entre os dedos dele me esqueço)
deixo as costas moldarem-se
tornando-se, no final, umas outras.
A velocidade, pouco a pouco, aumenta.
O som de fecho de portas já foi
e a percepção de conversas estranhas segue-lhe o rasto.
Fica, à minha frente, uma superfície fria que se torna reflexo
e da qual pretendo escapar a uma face caída
escondida em dedos nervosos, donos de outra vida.
sexta-feira, 15 de junho de 2012
Só, estaria
melhor deste modo, estou certo.
Por fim,
sem rodeios, sem jogos, sem (in)certezas.
Apenas, e afastado de mim
dado que eu, não duvido, seria melhor sem mim
Se eu não me tivesse a mim,
decerto teria-te, sinto-me capaz de apostar.
E sem necessidade de posse alguma, juro
apenas lado a lado, como eu acredito!,
do mesmo jeito que uma gota acompanha o ar
assim que liberta do conjunto anterior
Sim,
estou certo, sem mim conseguiria,
e sem erros!, ainda que estes sejam o que menos me preocupe.
Por agora, preciso de estar certo,
enquanto não me livro de mim.
melhor deste modo, estou certo.
Por fim,
sem rodeios, sem jogos, sem (in)certezas.
Apenas, e afastado de mim
dado que eu, não duvido, seria melhor sem mim
Se eu não me tivesse a mim,
decerto teria-te, sinto-me capaz de apostar.
E sem necessidade de posse alguma, juro
apenas lado a lado, como eu acredito!,
do mesmo jeito que uma gota acompanha o ar
assim que liberta do conjunto anterior
Sim,
estou certo, sem mim conseguiria,
e sem erros!, ainda que estes sejam o que menos me preocupe.
Por agora, preciso de estar certo,
enquanto não me livro de mim.
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