Não é necessário que saias de casa. Fica
à mesa e escuta. Não escutes, espera apenas.
Não esperes, fica em silêncio e só. O mundo
virá oferecer-se a ti para que o desmascares,
não pode fazer outra coisa, extasiado, ´
contorcer-se-á diante de ti.

Franz Kafka, "Aforismos"


domingo, 7 de junho de 2009

Voto

Estava indeciso entre votar em branco ou fazer para lá uns riscos; acabei por deixar um cruz no BE (este PS desaponta-me), estava logo em primeiro e ainda é o que está mais próximo de mim.

sábado, 6 de junho de 2009

cresce pá, cresce (crónica com sobressaltos)

Curiosa conclusão:
(detesto conclusão)
os meus melhores posts, em geral, são os que recebem menos comentários
(este aqui, por exemplo, merece muitos, quase que aposto)
e?
(e Nuno? Que interessa isso, diz-me a sério, que interessa isso? Ès capaz de dizer, és? Cresce mas é rapaz e diz alguma coisa de jeito, se não disseres não te queixes. Ès incapaz de dizer uma verdade, uma definição qualquer; uma coisa, digamos, inteligente. o que tu és é um incompetente, um incapaz, um burro - vá lá, desta vez até uma adjectivação fizeste, mas inválida como sempre. Cala-te mas é. Queres ser ouvido dá-te ao respeito. Não queres é? Estás-te a rir? Aposto que te estás a rir. Eu parto-te a cara se te vir a rir disto. Estás mesmo? Eu sabia que estavas. Cresce mas é, nem bater-te valia a pena. Se não cresceres, olha, faz o que te apetece, pensas que me importa? Importo-me? Não. E se me importasse? Como se estivesse a mentir. E tu também não te importas que bem sei. Para de rir idiota! Olha-me este, o que tu merecias era um murro já aqui. Chateas-te com isso? È por fingir que ris? Não? Pois não, eu já sabia. Nem vergonha tens, um minimo de escrúpulo, ética, moral, nada. E como se isto tivesse alguma coisa a ver - "a ver": pareces um labrego a escrever rapaz, que é isto? - como se te interessasses a sério. E se te interessasse? Eras capaz de mudar, agora a sério, só nos dois, mudaria alguma coisa? O texto é o mesmo, muda alguma coisa? Não!? Arre que és burro e chato. Estás a fazer isto de riso nos lábios, quase à primeira, que te interessa? Só para chatear não é? Não? Não mintas rapaz, livra-te de mentir, aviso-te! Só vê quem quer? Tão olha, adeus! Se nem um remorso nem nada; nem para chateares os outros. Quero lá saber do que viveste ou do que quem viviste. Do respeito que lhes tens ou não. Para mim isso é nada, não acredito que o sintas. Não és nada comparado com eles, nada! Quero lá saber que por vezes até alguma coisa. Nada! Para mim, nada. - como diz uma pessoa que conheces: não podia ser menos - Cresce e cala-te, vai ter com eles se és capaz que tanto lhes deves e faz alguma coisa. Ès completamente insensível, é isso que és! Não és capaz de sentir nem desejar nada. Tanto para o bom como para o mau. Adeus!)
bem, esquecer isto tudo.
(como já disse, este post deve merecer muitos comentários, minha sincera opinião)
vá, volta lá para o teu mundo, és incapaz duma emoção digna desse nome, dum desejo válido, por isso cala-te, faz-te homem rapaz.
(que chato!)
revê aí a crônica do ALA
(como se isso valesse de alguma coisa, ler uma crónica, as coisas que metes na cabeça...)
que para ti vale tanto pois tu todo lá, julgas tu
(mas à tua maneira, não sejas pretensioso!)
e mais não te interessa do que saber de ti, saber quem és, superar-te. Tentas fazer o que é certo sem saber o que isso é e talvez nem te interesses ao certo com isso. Um egoísta. È isso que és. Enganas-te a ti próprio, mas é o que és. Um egoísta.
(ora toma, livra-te lá desta)
só queres saber das tuas inqueitações. as dos outros, como não as percebes ou não as sentes, para ti que se lixe, não é rapaz? cresce pá, cresce...
(fim)
Não és capaz
(sempre a rir, só te ris aqui para gozar não é? andas sempre de trombas, pensas que és mau não?)

P.S: a crónica chama-se O que vêem os olhos quando já não podem ver

(chiça, sempre a rires-te tu, metes raiva! Vá, daqui a uns minutos arrepende-te, lembra-te lá agora disso - vêm aqui corrigir, sê homem. Ou quando sair o primeiro comentário, hás-de ter o que mereces seu tótó! Ou se calhar não mareces é nenhum, mas que amor próprio esse. Aí se te apanho!)

quinta-feira, 4 de junho de 2009

"Isto que escrevo é o quê?"

"é no meio desta gente que te sentes bem, deste canto que ninguém a não ser nós sabe onde fica, é para eles, que te não lêem, que escreves." - António Lobo Antunes in Visão
Como eu te compreendo, António Lobo Antunes. Não sou nada ao pé deles. Ainda ontem eu com o meu pai, ao lado um amigo dele que por acaso é pai dum grande amigo meu, ele sempre a trabalhar
-esta semana tenho-me acordado todos os dias às 5, só hoje é que me descudei um pouco e fui a ver já eram 6:20
dizendo isto como se nada fosse, com a dignidade que sempre lhe reconheci em todos estes anos da minha existência
(não me acho capaz de tanta dignidade, ao pé deste tipo de gente não sou nada)
vejo-o dum lado para o outro, saí do trabalho e aí vai ele, às vezes com o filho dele, amigo meu, já guiava tudo com 5 ou 6 anos
(ia com as mãos ao volante, era pequeno para os pedais; no outro dia a falar comigo
-já viste esta merda, estamos fodidos daqui a uns anos. só há tótos por aí, não sabem nada. só roubar, só beber, Hi5 e telemóveis; fumar ganzas, eu ás vezes também fumo mas uma ou outra, como toda a gente
a verdade que disses-te pá, quando apanhamos nós outra bebedeira?)
eu via-o e ria-me, ele ria-se também, eu com a minha avó e o meu irmão, alguma coisa nas mãos
(um regador talvez?)
depois duma tarde nalguma horta, o meu pai a falar para o pai do meu amigo que por acaso é amigo dele
-eram 6:30 e já eu e o meu irmão andavamos a regar, é isto que eles não compreendem
(será que o meu amigo, apenas um ano mais novo que eu, mesmo mês e tudo, será que ele ainda 6 anos agora?)
referindo-se a mim, ao meu amigo que por acaso é filho do amigo dele, que sou eu ao lado desta gente, "Isto que escrevo é o quê?"*, para eles eu aqui escrever não é nada pois mesmo sem lerem isto
(e de nada lhes serviria)
ou mesmo outra coisa qulquer, sabem mais do que eu a léguas, viveram, passaram por elas, metem esses intelectuais todos a um canto
-eles não sabem dar o valor
de novo a mim e ao meu amigo que por acaso ali não estava, eu a escutar e à espera para ajudar o meu pai
-não conseguem entender
e talvez não, a minha avó que andou uns 2 meses na escola e mesmo assim sabe ler, faz tudo ainda
(-a professora disse que era uma pena eu não poder aprender, tinha cabeça)
ela com 79 anos
(quase 80 para o caso de alguéma a ler isto mas não souber contar, eu não sei)
de certeza não a ler isto pois sempre dum lado para o outro, talvez um regador nas mãos queixando-se entre risos às amigas
-è a vida
e tu Nuno, "Isto que escrevo é o quê?"*, de certeza que não lhe tira o regador das mãos
(se eu lhe tirar ofende-se; se insistir que sou eu a levar um saco de 10 quilos cheio de erva, diz que vai melhor assim para equilibrar as costas; mas eu sou chato e insisto, ela ri
-ai...o que é a velhice. já não valemos nada)
"Isto que escrevo é o quê?"*, eles não lêem mas não faz mal, escreve rapaz, manda os intelectuais e os senhores das ideias para o diabo que os leve
(pequeno aparte: a primeira vez que ouvi falar dos Miseráveis de Victor Hugo foi numa obra, o meu pai a falar com um pedreiro, os dois
-Les Miserables
com sonoridade perfeita, enganavam qualquer francês)
por favor, arranjam-me aí um regador, um saco ou assim, depois uma caneta ou um lápis, só depois...
(antes ficava mal, era como acordar às 5)
para que quero eu que me leiam?
(será que não chego aos pedais?)
Deu-me uma vontade de ser pedreiro esta férias.
(se me perguntasse, poderia explicar ao meu amigo – ele trabalhou o ano passado enquanto eu só raramente, tenho mesmo de falar com ele - que assim o meu pai deixaria de me olhar como se fosse um campeão e de certeza nem abriria o bico, eu deixava de baixar o meu olhar; um homem têm a sua dignidade)


*"Isto que escrevo é o quê?"- Lobo Antunes

Eu

"A maior felicidade é quando a pessoa sabe porque é que é infeliz."
Dostoievski
A minha infelicidade é sentir-me culpado por todo o mal que existe no mundo e pouco ou nada poder fazer para acabar com ele. Pior ainda quando também eu causo algum mal. E é triste tirar daqui alguma felicidade que seja, como se fosse um espírito nobre e sacrificador, acima de qualquer dúvida moral - tretas. Não sou melhor que ninguém, sou o primeiro a sabe-lo. Por isso tento evitar ao máximo qualquer tipo de felicidade que possa ter; embora saiba que disso não sairá nada para melhorar a vida dos outros, - o principal prejudicado sou eu mesmo, sei-o bem - mas pelo menos a minha consciência mantêm-se. Mesmo considera a minha consciência a raiz de todas as minhas inquietações. È imoral ter uma consciência como a que tenho.
È apenas a forma como consigo viver, como me tento conciliar comigo próprio. "Ou todos, ou nenhum." - não consigo aceitar outra forma.
(acho que pela primeira vez consegui definir-me, obrigado Dostoievski - o meu escritor favorito)

terça-feira, 2 de junho de 2009

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Conversas com um amigo

Uma mini para cada um. Há um tempo que não o via, apesar de me dar muito bem com ele. Além de por vezes me fazer rir um bocado. Um excerto que agora me fez pensar:
-O Miguel já comeu três. O Renato foi só uma, mas fez logo o que havia a fazer.
(ele falava com uma carta autoridade, como se, se fosse possível chamar-lhe "sucesso", também se deveria um pouco a ele; nem imaginam a inveja que não tive, falo a sério. estas conversas pouco me inteteressam e dei outro golo que a sede nestes dias têm sido demais, soube mesmo bem)
-O Rodrigo é que se prendeu antes de ir. Agora não aproveita.
(também não tive inveja nenhuma dele - é raro ter inveja de alguém - lembrei-me foi da rapariga, Tânia, é gira e simpática. este Rodrigo sempre teve juízo, por vezes perdia-se era em boleias do INEM)
-Devíamos era ir para Lisboa ou Coimbra. Agora todos arranjam namorada.
(apesar de concordar com o ponto de vista - são mesmo muitos - fiqui outra vez indiferente, a minha Sagres sempre à mão dá outro sabor ao raciocinio. deve haver algo errado em mim, mas não me interessa)
-Lisboa e Coimbra? Então e no Porto, Faro...? - perguntei eu apenas para não parecer alheado.
-Ah... também. Mas não conheço muita gente nesses sítios. Não sei.
- Talvez. Mas é capaz de ser fixe. Pelo menos é mais longe daqui. - de novo a fazer conversa, enerva-me ter de fazer conversa (ou responder a ela).
Aí talvez tenha ficado impaciente e perguntou-me:
-Então e gajas?
Queria ser sincero e dizer que não me interessava muito por agora, mas por respeito a ele fiquei-me por um "Vai-se andando. Uma aqui, outra ali." - mentira. Não quis parecer insensível e perguntei como ia ele.
-Comi uma hà duas semanas. Já andava a ficar um pouco lixado.
Bebemos mais um bocado, à saida puxou dum cigarro, ofereceu-me outro mas recuse. Disse que eu fazia bem, era um mau vício e gasta-se muito dinheiro. Fui a casa dele, jogamos um pouco de PES (não é assim tão degradante como vocês pensam, têm muito de táctica; OK, um bocadinho). Fiquei apenas um pouco lixado por me ter ganho 4-2 (não estou habituado a jogar na Playstation) em jogos. Mas lá me vingava com o meu Messi- fazia a defesa dele em papas.
Gostei de estar com ele. Às vezes - muita raras - têm conversas que não me interessam tanto, mas pelo menos fazem-me rir um bocado. E sei que está sempre para o que for preciso.
só quero fazer o que acho certo (o tempo que me falta para descobrir o que é, se vos contasse chamavam-me maluco; mesmo assim nada vos impede) em qualquer situação não só por mim, mas principalmente por quem respeito e/ou creio merecer a minha ajuda. nem que para isso seja eu o prejudicado, não me interessava. ao fazer isso, sei que não era apenas a paz que encontrava, mas sim o que quero. a paz e a liberdade vinham daí. a partir desse ponto...
(até lá, se houver lá, não sei, nem tão pouco me parece interessar; deixo-me percorrer pelo vazio e tirar daí todas as inquetações)
preciso duma viagem, uma mala pequenas para algumas t-shirts velhas "and all way down to Alaska" or like Jimi Hendrix said "I'm goin' way down south/ Way down to Mexico way/ Alright/ I'm goin' way down south/ Way down where i can be free/ Ain't no one gonna find me/ Ain't no hang-man gonna". Then yes, then I stay
(mas que digo, certezas é algo que não tenho há muito; provavelmente estou errado)